Saturday, October 01, 2011

CONVERSAS COM A LUA

Psiuuuuu, psiuuuuuu, ouvi eu enquanto passeava numa destas noites quentes de final de verão, passava da meia-noite, as ruas desertas de gente e a ausência de barulho fazia com que o som das cigarras se tornasse incrivelmente alto, em certos lugares mesmo ensurdecedor, psiuuuuuu, psiuuuuuu, continuava, olhei e olhei e não se via ninguém, por momentos pensei que seria uma das cigarras a tentar falar comigo, -psiuuuuu sou eu olha para cima
- olá lua á quanto tempo não falamos
- é verdade e como andas ?
- bem, sempre bem
- hummmm mas olha que cá de cima não me parece isso
- isso é da distancia que deturpa o que se vê, principalmente o que não se vê, alem de que como não me falavas á tanto tempo não me parece que estivesses muito preocupada
- não te falava mas via-te sempre que deixavas que isso acontece-se
- mas não te preocupes esta tudo bem, sempre bem
- nunca mais li nada teu, alguma razão em especial ?
- alem da motivação ou neste caso desmotivação nada de mais, ate porque para escrever como sabes tenho de ter algo para dizer e isso não tem acontecido, tudo gira á volta dos mesmos deja vus, das oportunidades que já não voltam, das tentativas que não passam disso mesmo e que não representam já nada, ou algo tardio, ou algo que não vale a pena
- será ? mas escreves para ti ou para alguém te admirar ?
- escrevo para mim, é a minha forma de desabafar, mas confesso que gostava de ser admirado, já vi alguém escrever sobre Kant, ou melhor fazer um copy past googleano sobre o filosofo e ser questionado com um quê á mistura de admiração, sobre se isso que tinha escrito seria colocado depois de uma longa reflexão sobre o tema ou seria expontaneo
- e a ti não ?
- não, mas na boa, também não interessa para nada. E tu novidades?
- nada de novo, a minha vida aqui é muito limitada, passo o tempo á espera do próximo eclipse para poder estar junto com o Sol, e vou ouvindo as confissões dos apaixonados aí na terra
- isso ainda existe ?
- nem parece uma pergunta tua, que se passa contigo deixaste de acreditar ?
- deixei, é utópico, dá trabalho e não compensa no final, porque com culpa tua ou não o desfecho acaba invariavelmente sendo o mesmo, a amargura toma conta de nós e ficamos reduzidos a meia dúzia de pensamentos inebriantes neste nosso limbo de fantasias onde de vez em quando mergulhamos
- e vives bem assim ?
- tento viver, sabes quando olho para ti consigo ver as tuas cicatrizes, mesmo da terra são visíveis a olho nú, as minhas não são mas estão cá bem marcadas, algumas são crateras bem maiores que as que se vêm em ti
- e as que não se vêm ? ou achas que as minhas são só as visíveis ?
- acho que não, mas achas amiga Lua que quando olham para ti estão interessados no teu interior? Não estão, falam só se estas numa fase, nova, ou cheia, etc, comigo passa-se o mesmo, olham e vêm se tenho o cabelo curto ou grande, se estou bem vestido ou não, etc, olhar para dentro de nós com olhos de ver dá muito trabalho, e ás tantas com estes modernismos todos já nem se usa
- e então juntas-te a eles e fazes o mesmo e deixas de acreditar na tua essência ?
- essa é uma boa pergunta á qual não te sei responder
- mas eu sei, és incapaz de mudar, serás sempre um menino grande, idealista com uma vontade enorme de fazer bem mas que também erra mesmo que não seja para prejudicar alguém de forma gratuita
- já acreditei mais nisso sou sincero
- e o que te fez deixar de acreditar?
- os meus erros não perdoados, o egoísmo das pessoas etc
- não deixes de acreditar José, o dia de amanha de certeza ainda te vai trazer alegrias, ainda vais ver que a tua luta constante, que tu julgas qual Don Quixote contra moinhos de vento, acabará por se revelar bem real, e nessa altura sorrirás e pensarás que todas as lágrimas derramadas foram por uma causa justa
- são palavras reconfortantes as tuas mas suspeito que não passem disso mesmo, palavras, meras palavras, e essas o vento leva-as
- não são palavras de ocasião são sentidas e lá no fundo eu sei que acreditas ainda nelas, daqui a mais umas horas o meu amado irá aparecer e sorrir para ti, irá iluminar-te e fazer uma manhã resplandecente, enquanto eu estarei no outro lado do mundo a reconfortar alguém que como tu e mesmo que não queira admitir será sempre alguém que acredita
- mais um dia será então amanha, e talvez acredite que possa ser diferente, vou tentar dormir e pensar que sou uma pessoa de sorte em ter-te como amiga
- sorte tenho eu , dorme bem José
Assim fui para casa novamente ao som das cigarras a pensar na Lua, é preciso ter-se um amor enorme para estar tão perto do Sol e só lhe poder tocar de tempos a tempos, olha-lo querer senti-lo e limitar-se a sonhar…és linda Lua

Thursday, March 31, 2011

Cansado

Ando cansado. Cansado de tanta coisa, de tantas mentiras, meias mentiras, de verdades de meias verdades, cansado do vazio, do vazio em que se entra quando se anda á deriva. Acho que vou começar a fumar. Invejo os fumadores porque tenho a sensação que sempre que não estão bem ou estão com algum problema ou simplesmente tensos e inquietos puxam do cigarro e a “coisa” parece que atenua, eu que não fumo, ainda, não tenho nada que atenue nas mesmas condições. Faz mal, mata, que irónico, eu nunca fumei e um dia também irei percorrer esse caminho, por outras causas ou pelas mesmas, não interessa para o caso. Curioso que á uns anos atrás tive inconscientemente, uma forma de vida quase auto-destrutiva e nada de mal me aconteceu, nem sei se retirei alguns ensinamentos disso, gosto de pensar que serviu para me equilibrar na vida, coisa que sinceramente hoje em dia não faço a mínima ideia do que seja. Devo estar a ficar velho. Estou a ficar velho. Gosto de dizer que os meus cabelos brancos me dão charme, como dão a um qualquer actor (não gosto de escrever ator) de Hollywood, mas a verdade é que me pesam imenso. Estou cansado. Nunca tive oportunidade de perdoar na vida, sempre foram, foi, tudo tão correcto comigo, poucas são ao mesmo tempo, as situações que eu não tive perdão, porventura porque foram, são, as mais importantes. Mas gostava de o obter confesso. Ao fim ao cabo quem nunca errou na vida que depois não procure o seu perdão? Não sou diferente nisso. Sinto-me cansado. Ia escrever, “quem não me conhece” mas mudei de ideias e vou reformular: quem priva comigo, conhecendo-me ou não, á muitos anos ou á segundos, tem a ideia de mim como uma pessoa cheia de força de vontade, de ideias fixas, carácter delineado e valores morais bem vincados, ou exactamente o contrario, dependendo das situações claro, já passei por tudo isso quer a nível familiar quer a outro nível e garanto que a sensação não é muito boa, mesmo partindo do principio que os extremos acabam por se tocar e unir, fico sempre com a ideia de que sou um misto do palhaço pobre e de um grande estadista, modéstia á parte e com as devidas e largas percentagens de desconto. Palhaço pobre porquê? Se bem me lembro quando fui ao circo havia o sketch do palhaço rico e do pobre, o pobre toda a gente gosta dele mas ele nunca na vida irá reluzir debaixo dos holofotes como o rico, até porque quando o rico entra em cena todos os holofotes se ligam, e quando o pobre entra alguns apagam-se e tudo fica mais escuro. O palhaço pobre faz sempre umas Chico-espertices ao rico, a dada altura até esta na mó de cima mas acaba sempre o rico por levar a melhor. De mim também muita gente gosta mas acaba por ser só isso mesmo e de uma forma light. Eu sei que alguns holofotes da minha vida já se apagaram e não voltarão a acender de novo, outros estão já á media luz e mais dia, menos dia acabarão também eles por se apagar. Tudo acabará por ficar em memórias umas boas, outras más, outras nem uma coisa nem outra. Os projectos inacabados, o livro sempre semi-escrito, o quadro nunca pendurado, farão parte daquele sabor esquisito na boca, tal como a mulher que se ama e que nunca voltará, reforçando o sentimento de impotência no Eu mais profundo. Estou cansado. Como consolação sinto que reverto algumas boas coisas nos descendentes e ao rever-me nelas sinto que parte da missão esta cumprida. Comprido já está também este desabafo, cumprida está também mais uma etapa neste carrocel de sentimentos obtusos e tantas vezes confusos. Engraçado que sem nunca “a” escrever “a” palavra está patente em todas as frases deste texto…a palavra é Tristeza, claro. Sinto-me cansado…

Thursday, February 17, 2011

Quando...

QUANDO AS ONDAS DO MAR TE TOCAREM...
QUANDO O SOL TEU CORPO AQUECER...
QUANDO AS ESTRELAS TEUS LÁBIOS BEIJAREM...
ESTARÁS PRONTA PARA RECOMEÇAR A VIVER...

QUANDO TE SENTIRES SOLTA E COM VONTADE DE GRITAR
QUANDO CHORARES SIMPLESMENTE...POR CHORAR
QUANDO A VIDA QUISERES SENTIR...
ESTARÁS PRONTA PARA RECOMEÇAR A AMAR...

QUANDO PASSEARES PELA PRAIA EM SOLIDÃO
QUANDO OUVIRES AS ÁRVORES A CANTAR
QUANDO A CHUVA CAIR NA TUA IMENSIDÃO
ESTARÁS PRONTA PARA RECOMEÇAR A SONHAR...

QUANDO NAO TIVERES MEDO DO QUE SENTES
QUANDO A NOITE SE FIZER DIA NO TEU CORAÇÃO
QUANDO DISSERES AO AMOR QUE O ENTENDES...
ESTARÁS PRONTA PARA UMA NOVA ILUSÃO

MAS...ENQUANTO ESSE DIA NÃO CHEGA...
...NAO TE LIMITES A ESPERAR
PELA NOITE...PELO MAR...PELA VIDA...
SOLTA O GRITO E VOLTA...A AMAR...!!!

Saturday, January 29, 2011

Desta Vez...

Desta vez não vou começar por dizer que «é sempre difícil começar um post,… desta vez não vou dizer que as ideias que tinha em mente para colocar aqui deixaram de fazer sentido ou simplesmente não me apetece falar mais nelas,… desta vez não vou dizer que tudo acaba por se repetir e que tudo parece um deja vu …
Desta vez não vou lamentar a desonestidade (é capaz de ser um bocado forte mas whatever) das pessoas eu incluido,… desta vez não vou armar-me em sr-todo-bons-valores,… desta vez não vou chorar alguém que desapareceu,… desta vez não vou lamentar alguém que se afastou,… desta vez não vou lamentar inclusive alguém que perdi…
Desta vez não vou falar no estado social que nos engana,…desta vez não me vou armar em intelectual,…desta vez não vou falar num filme maravilhoso,…e desta vez não vou sequer entrar em terrenos lamacentos ou com areias movediças, terrenos estéreis de sentimentos puros, terrenos tão áridos que nem um cacto consegue sobreviver, terrenos esses que fazem os desertos parecerem oásis e as crateras da lua esconderijos de um qualquer jardim infantil, terrenos esses minados, sem salvo-condutos e sem mapa de escapatória, terrenos em que uma bússula de nada serve pois o ponteiro gira freneticamente em círculos viciosos previamente estabelecidos por alguém sem escrúpulos (forte não é ?) ou no mínimo sem valores, terrenos onde um gps diz constantemente:” …temos pena, não pode seguir em frente…”, acabando em beleza com a frase “…final da viagem, chegado ao destino…”
Assim sendo desta vez vou falar de quê afinal?
Tenho a certeza que algures entre uns copos de Monte Velho ou Dona Ermelinda, tinto, e uns bocados de queijo da ilha, a inspiração aparecia de certeza, se quisesse ser pretensioso diria que entre uns copos de Barca Velha (vão ao Google vá) e uns pedaços de Gorgonzola (continuem no Google) a inspiração viria e neste caso muito mais sofisticada, mas não é o caso, infelizmente diga-se. Quanto á inspiração ficou conspurcada e mesmo virulenta no inicio do post, quanto ao vinho e ao queijo de momento não é possível estabelecer contacto…
Assim sendo resta-me pensar que seria bom uma pessoa olhar para a outra sem estigmas do passado, analisar o que a pessoa representa, lógico que fruto de um caminho percorrido mas sem analisar o caminho e sim o que se é. Se repararem existe uma corrente cinematográfica que consiste nisso mesmo, por exemplo o ultimo filme Robin Hood, e que donzela não suspira por ele? conta a historia antes da historia que nós conhecemos, mostra um homem cheio de defeitos e alguns valores duvidosos, mas acaba onde começa a lenda e o personagem vilão torna-se num herói, o patinho feio vira cisne e de certeza, ninguém questiona de onde veio ele e o que ele era mas sim o que ele é e o que representa.
Será uma perspectiva light ver isto desta forma? Será conveniente? Será uma fuga para frente? Não me parece, pelo contrário, parece-me sim o reflexo de um caminho percorrido reflectido na actual conduta.
Tudo tretas, tudo balelas, tudo utopia e mais uns “tudos”, pensarão muitas pessoas que possam ler isto (que optimismo), mas a verdade é que tendo ou não na vida real esta posição, aqui na escrita, neste universo ilimitado de palavras onde a imaginação é o limite, posso ser, e pensar que sou quem eu quiser, um Lancelot, um Don Quixote e até um Darth Vader ou mesmo um Hannibal Lector.
É esta a magia de escrever, é desta forma que me consigo transportar para outros lugares onde posso ser mais perfeito mesmo que isso não passe de um conjunto de boas intenções escarrapachadas no papel. Mas bolas ao fim ao cabo sou Só humano mais nada.
Desta vez as lufadas de ar fresco são mesmo só climatéricas…desta vez o cinzento do céu é o reflexo da alma, e desta vez vira-se a pagina e chega-se ao fim do capitulo…

Sunday, January 16, 2011

Bob Marley

Hoje e apesar de ter algumas coisas para escrever vou publicar um pensamento que nao é meu, nao pode ser sempre, até porque isto de pensar muito ás vezes magoa, vai daí, daqui neste caso especifico e concreto (tou a meter palha para o texto ficar maior), lembrei-me de um texto que vi no facebook e que achei muito interessante. nao sei se o autor estava sob influencia de alguma substancia licita ou ilicita mas a verdade é que achei muito profundo e sempre muito actual.
Tomei a liberdade de alterar o "she" pelo "he", espero que nao arranje problemas com os direitos de autor,ao fim ao cabo só alterei uma letra... (sim vao lá verificar lol), e aqui fica entao :

You may not be he’s first, he’s last or he’s only, he loved you before, he may love you again, but if he loves you now, what else matters? He’s not perfect-you aren t either, and the two of you may never be perfect together, but if he can make you laugh, cause you to think twice, and admit to being human and making mistakes, hold on he and give him the most you can. He may not be thinking about you every second of the day, but he will give you a part of him that he knows you can break-his heart.
So don t hurt him, don t change him, don t analyze and don t expect more than he can give. Smile when he makes you happy, let him know when he makes you mad and miss him when he’s not there.

Bob Marley

Um resto de bom dia

Monday, December 13, 2010

A VIDA COMO PALCO

Por muito que, e durante meses a fio, tente colocar a armadura de senhor-está-tudo-bem, a grande verdade é que as coisas não se passam necessariamente dessa forma.
Talvez potenciado pela época que se aproxima e pelas ausências que nesta altura do ano se fazem ainda mais sentir, começo a ficar cada vez mais triste pelas outras ausências que de repente se anunciam.
Não sou velho e no entanto começo cada vez mais a ter saudades do antigamente, ter saudades do relativamente antigo, ter saudades até de ontem.
Talvez esteja a ter alguma crise existencial, talvez, ao fim ao cabo também tenho direito a isso. Se existem pessoas que estão em crise 12 meses por ano eu também me posso dar ao “luxo” de algumas vezes passar por essa dita crise, ou então como já me disseram varias vezes é a crise da meia idade, seja qual a idade parâmetro para tal e nesse caso deve ter um intervalo enorme porque já oiço isso faz uns anos, além de que deve ser difícil dizer a alguém no inverso que já tem a idade completa.
Quantificar esta situação é no mínimo estúpido, da mesma forma que qualificar a mesma é um exercício de todo ilógico devido á subjectividade da mesma que varia de certeza absoluta de pessoa para pessoa, inclusive para quem esta do outro lado a meio caminho de me dar uma palmadinha nas costas e dizer que o dia de amanha é melhor de certeza. Esta própria situação variará de certeza, também, com o estado de espírito da mesma, ou seja tenho de em 1º lugar mais uma vez arcar com a minha crise, porque é só minha, e além disso as outras pessoas também já têm os problemas delas como ás vezes deixam isso bem vincado, com algum comentário em rodapé de: é um “deja vu”, ou “nada que não tenhas feito antes”, ou “nada de novo”.
Acontece que existe sempre algo de novo em cada situação destas, sem falar na amargura das mesmas, é sempre novo o facto, em contraste com a reacção das pessoas, de me sentir cada vez mais impotente para dar a volta ás mesmas, eu que sou um optimista por natureza, ou no mínimo ostento uma capa que me fortalece dessa forma e me facilita o dia a dia.
Mas sinto…
E se na maioria dos casos consigo digerir as situações, caindo até no erro de deixar que as pessoas pensem que é este o tipo de vida que quero e que todos os sacrifícios que alguém faça na vida me passam ao lado, outras alturas não consigo disfarçar e a tristeza apodera-se de mim qual sanguessuga em busca de sangue quente.
Ao fim ao cabo sou humano, com todos os meus defeitos e algumas pequenas virtudes, lógico que mesmo estas premissas são mais valorizadas ou desvalorizadas em função dos olhos que as vêm, em função do grau de parentesco que as vêm, tendo a certeza que aos olhos de filhos por exemplo com, 4, 11 ou mesmo 21 anos os defeitos não são tão grandes assim e as pequenas virtudes em alguns casos tornam-se enormes fazendo com que desta forma a “coisa” se atenue.
Mas não chega, o lado sentimental do humano não se cinge só ás “crias”, outras partes do sentimento também são necessárias ao equilíbrio do ser, só desta forma o quadro fica completo, só desta forma o grito silencioso que me rebenta por dentro adormece á espera de nova oportunidade que eu desejo que não surja, mas é utópico pensar assim. Quando não for por uma questão sentimental esse grito soará em mim por solidariedade com alguma história comovente ou por alguma causa perdida á partida…nem tudo tem de girar á minha volta claro.
Ser-se observador de outras histórias é como ser actor num filme com um papel minúsculo e em que o nosso nome só aparece junto com mais trinta numa altura em que o cinema já está vazio. Nem o próprio arrumador presta atenção enquanto apanha do chão os copos vazios de coca-cola e os pacotes das pipocas…
É muitas vezes, ser-se actor secundário com um papel minúsculo no grande palco da vida de todos nós.
É passar-se de actor principal a secundário com pena de se ter perdido o protagonismo ou simplesmente por deixar de se estar na moda, e ver que outros actores aparecem em cena tomando o nosso papel deixando-nos unicamente espaço para um pequeno anuncio de shampô anti-caspa.
Estou amargo? Estou desiludido? Não, simplesmente estou triste…

Sunday, November 14, 2010

Potássio, Porcos e Farmville...lol

Escrevo e apago vezes sem conta as 1as frases deste post, e posso acrescentar que este ritual já dura umas semanas. Umas vezes porque a inspiração não vem, outras porque os temas que queria focar deixam de existir ou penso que já não vale a pena falar deles.
Ao mesmo tempo acho que me tornei mais calão e acreditem que escrever dá muito trabalho, até porque começa a fazer frio e o sofá bem quentinho pisca-me o olho de uma forma irresistível contrastando com a frieza da mesa do computador sem nada de atractivo.
Um sofá e um chá bem quentinho caem sempre bem nesta altura, já um chocolate é mais perigoso até porque é rico em potássio e o potássio é um afrodisíaco. Por falar nisto continuo a achar que a palavra “afrodisíaco” contem um “r” a mais na sua estrutura, faz muito mais sentido a palavra sem o “r” do que com o “r” mas ok lá continuamos a dizer com o “r”, a não ser que sejamos chineses, aí o “r” passa a “l” e a palavra já se lê e diz-se de uma forma que ninguém percebe, “aflodisiaco”, o chocolate é lico em potássio e isso é peligoso polque o potássio é aflodisiaco, chinesises sem duvida.
Outra coisa que me tem deixado admirado é a descoberta de á uns tempos a esta parte, da anatomia do porco, é verdade. Já devem ter reparado que alem das partes até então normais do porco descobriu-se, e gostava de saber quem foi mas suspeito que ele ou ela querem anonimato, que o porco tem…lagartos (penso que não seja nenhuma conotação clubística), e mais, o porco tem também…pianos, e the last but not the least , ou em português por ultimo mas não menos importante, o porco tem…secretos, ah pois é , secretos, que obviamente ninguém deve saber onde ficam, penso até que o cortador que os trás ao publico para este se deliciar com tremenda iguaria teve de certeza vários cursos no F.B.I, na C.I.A. ou mesmo no S.I.S. de forma a descobrir em cada porquito onde está a sua parte secreta.
Mas isto já não me devia espantar, a evolução não diz só respeito ao homem, o porco também evolui, um dia de certeza que vamos ver o animal a jogar farmville e a criar homens.
Por falar nisso não posso desde já de me congratular com a adaptação que o homem moderno faz ás novas técnicas de engate, até porque as mulheres hoje em dia são muito mais sofisticadas e já não se impressionam com um belo bigode, um palito no canto da boca, um verdadeiro hálito a bagaço ou mesmo a bela unha do dedo mindinho bem crescida, coisas que antigamente faziam suspirar o sexo oposto. Hoje tem o homem de ser mais maleável, mais contorcionista mais doce, e perguntam vocês nesta altura: ok então o que faz o homem hoje em dia para engatar? fácil torna-se agricultor tcharannnn.
Mas atenção não é agricultor puro e duro, é agricultor …virtual. Cria uma quintazinha e vai cultivando batatitas, e alfaces e moranguitos e vai mostrando ás amigas virtuais, que na realidade são bem reais e ele conhece-as do trabalho ou do café, a evolução da sua quinta, vai pedindo coisitas para a quinta e elas vão dando, e depois falam disso no seu dia a dia: “olá, já viste como as minhas malaguetas estão crescidas?”diz ele, “opa não sabia que eras tão sensível ao ponto de gostares disso, olha muito bem subiste na minha consideração” diz ela, “ainda hoje meti o relógio pás 5 da manha para colher tudo fresquinho e não perder nada, é claro que depois atrasei-me para o emprego mas isso na boa perder a cultura é que não, olha vê se me arranjas uns pregos para a casota do cão”, opa que giro, arranjo sim és um querido nas coisas que me mandas e nos comentários que fazes á minha quinta, um dia temos de sair e jantar para falar nas nossas quintas, que giro pá, eu tenho tantos amigos que agora são agricultores”
E assim ele leva a agua ao seu moinho e como se de um camaleão se tratasse vai mudando e adaptando-se ás novas realidades nesta nossa sociedade.
Acho que um dia destes vou voltar a este tema mas por agora fico-me por aqui até porque tenho que ir …nao não é colher nada nem plantar nada é mesmo ver mais um episódio da serie 24, um resto de boa noite na cama ou na quinta lol