Tuesday, December 01, 2009

LUA

LUA

Vejo te a ti Lua…tímida…distante…
Olho para ti…tentando entender…
Escuto o teu lamento…a tua magoa…a tua dor…
Sofro por ver-te assim…por ver-te sofrer…

Oh…Lua bela e misteriosa
Quanta solidão escondes nesse brilho encantado
Quantos silêncios rasgados por gritos proferiste
Quantos segredos a ti ditos por corações apaixonados
Ao longe…a chorar…tu ouviste…

Continuas aí…noite após noite…
Vês paixões…promessas e juras de amor
Encontras solidões errantes, que como tu
Vagueiam entre gritos de desespero e dor…

Diz-me minha amiga…minha confidente…
Quantos gritos meus já escutaste?
Diz-me se entendes o que o meu coração sente
Ou se tal como eu desististe e …choraste…

Estamos sós…perdidos num sonho sempre inacabado
Um sonho sonhado…um sonho de amor…
Ate ao presente ser passado…
Fica comigo por favor
Quem sabe a ti alguém te diga…
Se vale a pena acabar abandonado sem amor…

Minha amiga…meu luar
Enche este sonho …esta ilusão
Ensina-me novamente a amar…
Ensina-me a confiar de novo no meu coração…


E assim deixo mais uma lamechice, agradecendo o que costumo agradecer no fim de cada post
Boa noite …

Saturday, November 07, 2009

BUUUUUU...VAMPIROS...

Sem dúvida que a nossa sociedade é uma sociedade de modas, e em Portugal isso acontece naturalmente todos os anos por exemplo em relação ás Modas Outono/Inverno, Primavera/Verão etc, mas agora a nova moda são…os vampiros. Tudo o que tenha a ver com vampiros tem saída, são series na TV, são livros e é essencialmente a saga do Crepúsculo, Lua Nova, Quarto Crescente, Lua Cheia, Quarto Minguante, Lua Mais ou Menos, Lua Nem por Isso, que faz sonhar os “nossos”, mais as “nossas” adolescentes, mas não só, porque reparo que existe muita menina já, digamos entradota que delira e anseia por uma dentadinha no pescoço.
Vai daí e devido a este entusiasmo todo decidi ver o filme, e sim sra muito bem aquilo é que são uns vampiros que se apresentem, nada de figuras fantasmagóricas de olhos encovados e garras e dentes afiados, com capas pretas com um fundo roxo ou vermelho, até eu, reconheço, não me importava de levar uma dentadinha de uma vampira daquelas, e estou certo que as leitoras pensarão de imediato que elas também não se importavam de levar uma dentada do vampiro principal, só que, e puxando a brasa á minha sardinha, mais uma vez é injusto e até irónico que o nome da mocita seja Bella, por uma razão obvia, é que lá nos States ok tudo bem até pode ser normal e tal uma vampira assim, mas aqui no nosso burgo o que mais existem nao são Bellas mas sim Feeias, e ainda por cima farsantes. Todo o amor que a mocita no filme dedica ao rapazito vê-se que é do coração, ok ela é nova não pensa etc, tudo bem, mas é bonito de se ver, e ainda por cima verdadeiro. Aqui as vampiras fazem jus ao nome, ou seja são mesmo Vampirassssssssssss, e de verdadeiro o que realmente mostram, não são os dentes afiados (esses não estão visíveis), mas sim a farsa com que seduzem a presa e lhe contam historias de embalar que fazem corar uma qualquer sereia daquelas lendárias que faziam as delicias dos marinheiros.
Será por estas coisas que no México existe a lenda do “Chupa Cabra”?
Ainda á pouco estava a ler um blog de uma Babe (é mesmo o nome do blog) em que ela dizia que dormia pouco, e que numa das noites de insónia deu por ela a pensar nos 10 Mandamentos, eu acho que ela devia era pensar nos apóstolos, e que quando chegou ao mandamento “não cobiçarás a mulher do outro”, pensou que como era heterossexual esse mandamento não era para ela, ok acho que os neurónios não são o forte dela, e mais, dizia a Vampira, perdão a Babe que costumava sair com pessoas que não gostava, mas deixava-as (sic) em banho- maria porque não sabia se mais tarde iria precisar deles.
Ora aqui esta o móbil de uma Vampira, apanha-os enrola-os e deixa-os em banho-maria, a gratinar, a secar, qualquer coisa gastronómica até porque o objectivo é depois come-los mesmo.
Ao fim ao cabo nada de novo, vem nos manuais, e por falar em manuais dei por mim a fazer uma pesquisa de manuais, daqueles que as mulheres gostam muito, tipo livros de auto-ajuda, até porque são geralmente livros com menos de cem paginas e letras granditas para elas conseguirem ler em menos de um ano, ok também existem homens que gostam desses livros, e sei que alguns ainda conseguem ter, pasme-se, menos neurónios que muitas mulheres, á pois é eles andem aí como diz o outro. Mas vi que existiam manuais para tudo, a sério, por exemplo o Manuel do Engate, Manual da Divorciada/o, Manual da Namorada/o, Manual da Gripe A etc, e quando não se chamam Manuais chamam-se Como Fazer Isto ou Aquilo. Das dezenas de títulos que vi, houve três que não posso deixar passar, o 1º é – "Como Engravidar…Rápido", já estou a ver que se deve tratar de rapidinhas, o 2º é – "Como Dar Uma Queca Num Dois Cavalos", ainda bem que não se enganaram no titulo do livro e não trocaram o “Num” por “Em” e por ultimo "Como Fazer Um Cunillingus", sim isso mesmo, não faço ideia se trás desenhos ou não mas tou mesmo a ver a cena: --ó filho não é aí é mais acima--, --ó filha muda lá a pagina que não estou a perceber isto--, --ó filho já tas na pagina 4 ? olha e tens aftas ?--, -- ó filha vai-me buscar os óculos de ver ao perto por favor-- .
Enfim mais uns devaneios enquanto não aparecem utentes. Um resto de boa noite e…cuidado com as Vampiras porque elas existem mesmo …

Sunday, October 18, 2009

Convicções

Hoje perguntaram-me se eu era feliz…pensei de imediato que essa pergunta era talvez a que mais respostas politicamente correctas pode ter. Consegue-se responder a essa pergunta com varias não-respostas, consegue-se camuflar e dourar respostas não expondo o que não queremos que se saiba, e consegue-se relativizar o que nos convém manipulando as ditas respostas de modo a que continuemos no mínimo a ser um enigma nesse campo. Uma das coisas que pode trazer felicidade a um homem é por exemplo seguir as suas convicções, fazer delas sempre a sua bússola, o seu sentido de vida, e noto que hoje em dia existe uma falta de convicções assustadora na nossa sociedade.
Nas gerações mais novas então é brutal e assustador ver que “ideologia” por exemplo, não faz parte do vocabulário deles, nem sequer sabem o que isso significa. Se tomarmos como exemplo a abstenção das últimas eleições legislativas seria interessante saber qual a faixa etária dessa enorme abstenção e não duvido que ela seria esmagadora dentro do intervalo dos 18 aos 35 anos, õu seja exactamente uma geração pós 25 de Abril que achou que o facto de não ter referencias politicas, nem ter de lutar por direitos faz com que se borrifem positivamente para eleger o governo DELES e quem vai decidir o futuro do País por ELES.
Mas depois acho engraçado que contestem medidas e politicas governamentais, nessa altura seria bom pensarem que no dia das eleições preferiram a praia ao dever cívico, e sobre este assunto estamos conversados.
Mas nem só de convicções politicas o homem vive, existem outras convicções bem mais importantes, se Galileu não tivesse a convicção de que o Sol seria o centro do nosso sistema e não a Terra, se D. Afonso Henriques não tivesse a convicção de fundar um País (ó Afonso mas não se bate na mãe, porque mãe há só uma), se Martin Luther King não tivesse um sonho, se Nelson Mandela…, se Gandhi…, se Gorbachtov…e poderia continuar por aí fora, ou seja sem as convicções destes homens o mundo não seria igual ao que hoje conhecemos.
O próprio Amor é uma convicção, amar é lutar pela convicção de que o coração escolheu “aquela pessoa”, e nessa altura parece que o coração bate mais rápido, mas é pura ilusão meus caros e minhas caras, nessa altura o coração em vez de bater apanha, o pensamento tolda-se a uma vertiginosa sinapse de estímulos deliciosos e a convicção de que estamos perante a “tal” acontece.
Depois…bom depois muitas coisas podem acontecer, e se na politica se passa de uma ideologia para a outra enquanto o Diabo esfrega um olho, no amor as convicções também muitas vezes desabam, e o que parecia ser afinal não é, e a convicção de que afinal era possível acontecer, passa, da prática á teoria, que é aliás onde todas as convicções começam.
Isto ao fim ao cabo é mais uma prova de que nada é imutável, e se as minhas convicções já algumas vezes mudaram, nunca deixei de as defender e lutar por elas, fossem quais fossem em determinadas alturas da minha vida, sendo acima de tudo desta forma honesto comigo mesmo, umas vezes vendo os frutos dessas convicções outras ainda esperando que aconteçam.
Como diz um personagem no final do filme Blade Runner …” one day everything will be lost like tears in the rain “…menos…as convicções.
Um resto de boa noite.

Friday, August 28, 2009

Leis da nossa vidinha

Apesar de, ao que parece, voltarmos a ser confrontados com uma nova vaga de calor, mesmo que por dois dias, e vá lá que desta vez calha ao fim de semana para gáudio de quem trabalha de segunda a sexta, o que não é o meu caso porque sinceramente acho que desde Julho que trabalho todos os dias e alguns deles com dois turnos, não sabendo bem onde começa o fim de semana e onde acabam os dias úteis, ou seja nesta altura do campeonato tenho uma vaga ideia que existe no calendário não só folgas mas uns nomes estranhos que se lêem: Sábado, Domingo.
Mas o que me assalta ao espírito nesta altura é o pensamento de que esta vaga de calor seja a ultima deste verão, os dias já estão mais pequenos, o regresso ás aulas começa a ser comercializado na televisão, a Rentrée politica já se fez, desta feita com novas promessas e novas juras de amor eterno ao povo, e a nostalgia de mais um verão que se passou começa a instalar-se no ar.O recurso ás sweets para a noite começa a fazer-se e, começamos a olhar para as gavetas da roupa de outuno/inverno.
Ou seja é a lei natural e os ciclos que regem a nossa vida que qual relógio suíço avançam e regeneram-se segundo a segundo de uma forma implacável.
Na prática movemo-nos por leis universais sejam elas quais forem, adequadas a uma qualquer situação em que nos encontremos. Talvez a mais interessante, na minha opinião claro, seja a lei de Murphy, talvez pelo fatalismo e senso comum inerentes á mesma, se pensarmos que se algo pode correr mal irá correr mal, estaremos perante uma inevitabilidade quase derrotista, á semelhança talvez do nosso “fado” bem português. Ás tantas Murphy era português. Eu próprio, uns dias atrás sofri na pele a lei de Murphy no seu esplendor máximo e passo a explicar: ouve uma substituição de uns geradores aqui no Hospital e alguns pontos de luz designados por secundários ficaram sem energia, entre eles os pontos de energia do nosso “ar condicionado”, ok estou a mentir são ventoinhas, mas o ar é condicionado pelas pás das mesmas a circular por isso acaba a designação de ar condicionado estar correcta, e pensei que pior pior seria o sistema informático falhar possibilidade que existia, e de repente como se de magia se tratasse o sistema falhou mesmo. Coincidências.
Acaba por ser reconfortante colocarmos a responsabilidade de tudo o que acontece nas nossas vidas nas leis universais, é quase uma religião pensarmos que valores mais altos que os humanos são os fios condutores de todas as nossas possibilidades ou impossibilidades enquanto personagens principais da nossa vida, é assim como tirar agua do capote e resumirmo-nos a um papel secundário dentro do principal.
Ao mesmo tempo seria muito interessante ao interpretarmos uma outra lei, neste caso a lei de Lavoisier, pensarmos que já que tudo se transforma, nada se perde, ficarmos esperançosos que o amor que dedicamos a alguém e não foi correspondido seja canalizado para outra pessoa de forma a não se perder. Lavoisier que identificou o Oxigénio, esse elemento fundamental á nossa sobrevivência, excepto para os apaixonados porque esses respiram o ar que respiram os seus amados, ou seja na realidade devem respirar é dióxido de carbono expelido pelos seus amores e convenhamos que não é muito saudável, se calhar está aqui uma explicação para tantas relações que acabam…é do ar, ou então foi um ar que se lhes deu.
Dirão vocês que o amor e as relações amorosas são em grande parte irracionais, até posso concordar mas aí mais uma lei, neste caso a de Arquimedes aparece para sustentar a afirmação anterior, na realidade e não tentando analisar a formula de Arquimedes que acreditem em mim é grego, não consigo deixar de esboçar um Eureka (em português –descobri) e responsabilizar o Pi por todo este embaraço nas relações amorosas, ora o Pi é irracional e qualquer formula que se preze tem adjacente um Pi´ (linha)… por isso Pi` é fundamental nas relações.
A ajudar á “festa” aparece-nos o Newton que desde que a maça lhe caiu na cabeça, e note-se que esta maça não tem nada a ver com a que foi mordida no Génesis (ainda sem o Peter Gabriel nem o Phill Collins), começou a elaborar leis. Entre elas a 3ª lei enuncia que se fizermos força sobre alguém ou alguma coisa essa força voltar-se-á para nós na mesma intensidade, digamos que não é bem assim ó Newton senão quando um gajo faz uma forcinha para encantar uma mulher ela também o faria para nós e aí era uma maravilha, alias nós devíamos era seguir a 1ª lei de newton que diz que um corpo permanecerá em repouso ou em movimento rectilíneo uniforme a menos que alguma força actue sobre ele, isso sim é uma lei á maneira, um gajo está quietinho até se meterem com ele, e se não se meterem até dá para passar o domingo a ver a sport tv a tarde toda, “papando” os jogos do campeonato inglês, italiano e espanhol, evitando com isto a 2ª lei que diz que tudo o que sobe cai,que foi copiada por la Palisse, mas diz mais concretamente que um corpo ao subir vai perdendo a força até a perder por completo, iniciando a descida em velocidade uniformemente acelerada ate bater no chão com grande estrondo lol, igualzinho ao interesse que de repente se possa ter por alguém que vai subindo, subindo, subindo até esse alguém dizer que não é essa a ideia porque está numa fase difícil por esta ou aquela razão e um gajo vem disparado lá de cima até cá baixo. E não havia necessidade…
Metafísica á parte fico-me por aqui á espera que novas leis umas promulgadas, outras não aconteçam .
Um bom resto de noite

Sunday, August 02, 2009

Mudar e Evoluir...

Uma das provas da nossa evolução é a capacidade de conseguirmos mudar de opinião, ou de gostos, que se vão reflectir depois no nosso dia a dia e na nossa capacidade de os colocar em pratica de uma forma mental ou não. Lógico que não se consegue mudar muita coisa, não se muda de clube por exemplo, ia dizer não se muda de partido mas o que em tempos tinha a ver com ideologias neste momento tem a ver com convites, uns mais apetecíveis do que outros calculo, até porque é tudo neste caso, uma questão de poleiro, e se, se chegou á conclusão que afinal Marx era um grande capitalista não vejo que possa vir grande mal ao mundo que alguém do BE possa ser convidada pelo PS por exemplo, até porque mais uma vez na teoria as ideologias destes partidos pertencem a um mesmo sentido, uns a uma esquerda mais esquerda, os outros a uma esquerda tutti frutti , não confundir nem levar este tutti frutti á letra claro.
Como adepto, desde que me conheço, de causas perdidas e fazendo disso quase uma regra para a minha vida (estão explicados os infortúnios) continuo a pensar que apesar de tudo valem a pena. Mais do que não seja por me fazerem sentir vivo nessas lutas. Não tenho veleidades de me comparar a qualquer Aragorn do Sr. dos Anéis, ou mesmo um Neo do Matrix, mas faço as minhas batalhas dia a dia e pelejo pela honra da minha dama, seja ela de índole profissional ou sentimental, mesmo sem reconhecimento á posteriori.
Isto leva-me a uma das musicas que mais gosto da Madonna, a Vogue, que diz a dada altura “…fellows that were in the mood…”, ora tirando a altura em que andava na secundaria de Linda-a-Velha e até era vice presidente da associação de estudantes, nunca fui muito in the mood, era conhecido, tinha as minhas fãs e os meu seguidores mas nada por aí além, acontece que no outro dia a ler Nietzche reparei numa frase em que ele diz e passo a citar, “…Há uma inocência na admiração: é a daquele a quem ainda não passou pela cabeça que também ele um dia poderia ser admirado…” (não Sócrates não é para ti) e pensei que afinal existe uma luz ao fundo do túnel, não por uma questão de vaidade mas por questões bem mais importantes, como por exemplo o amor, essa “coisa” que o nosso Camões definia como “… fogo que arde sem se ver…” (desculpem lá as reticencias e as aspas mas não quero ser processado por plagio nem pagar direitos de autor) ou até como uma colega minha dizia, que era como um mojito, passava bem pela garganta mas depois ardia no estômago, claro que me recuso a pensar no que ela estaria a pensar quando referiu essa passagem pela garganta, e aqui não é preciso aspas nem nada disso porque ela até vai ficar contente porque finalmente falei nela nos meus posts.
Ai o amor o amor dizia o outro, alimenta-se de quê? Serve para quê? Se acharmos que um dia sonhamos e no outro dia acontece estaremos perto de uma fé quase inabalável que nos foi facultada por algo ou alguém superior, chamando-se ele Deus ou não, e iremos pensar que ao alcançar esse amor o paraíso é já ali, mas Nietzche diz, “…até Deus tem um inferno: é o seu amor pelos homens…”, ou seja todas as asneiras que se cometem em nome do amor, e esse amor pode ser tanta coisa, acabam por ser perdoadas por essa Entidade superior arcando ela com as consequências, claro que depois existe uma transferência de poderes e mais do que não seja para nós aprendermos e, não voltarmos a repetir, sentimos na pele o que custa esse processo todo, digo eu.
Claro que aqui os atritos aparecem de uma forma muitas vezes desmesurada, até Nietzche (e ele a dar-lhe com este fulano) diz que “…é difícil viver com as pessoas, porque calar é muito difícil…” e mais uma vez ele põe o dedo na ferida (desinfectado espero eu) e convenhamos que é actual, hoje não se dá tempo nem oportunidade para que o nosso espaço seja violado por alguém, mesmo com as melhores intenções, mesmo com alguma reciprocidade de sentimentos, e é pena porque podem-se perder oportunidades de se viver melhor nesta nossa curtíssima passagem.
Num dos raros momentos em que me senti muito bem ultimamente (choco frito á parte) foi a ouvir o Concerto para Piano e Orquestra nº1 de Tchaikovsky e a pensar que apesar de ao longo dos anos haver muitas mudanças na nossa personalidade, certas coisas serão sempre imutáveis, e ouvir musica clássica sempre foi uma coisa que fui habituado a fazer, pelo meu pai desde pequeno, e mais do que ouvir a musica era aprender a sentir a musica, imaginar algo de bom (mesmo que fossem as cantoras dos Abba nessa altura) e permanecer quase imóvel a maior parte do tempo que durasse a musica. Era um exercício fantástico, e não direi que nunca cheguei a adormecer a ouvir um Nocturno de Chopin, mas também se era um Nocturno era porque já era tarde e se era tarde um gajo adormece. Agora serve a musica clássica quase como um ex purgante ou um desintoxicante, para mim claro, e acreditem que vale a pena experimentar e depois verem se tenho razão ou não, estou a falar da musica claro, porque o resto já seria puxar a brasa á minha sardinha.
Ora sardinhas é coisa que nunca gostei e não estou a ver como irei gostar algum dia, já Nietzche (onde é que já ouvi este nome hoje?) digamos que foi uma mudança quase radical, do detestável para o admirável, e por falar em admirável se um dia quiserem ler alguma coisa de jeito sem ser este bloco de notas leiam “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, é uma ideia, alguns dirão:… esquece lá isso, venha mas é o Jornal A Bola até porque o Benfica está em grande…, mas vá lá leiam qualquer coisita séria.
Mais uma noite, mais uns desabafos.

Thursday, July 02, 2009

Em Branco

Começar um post sem título é, para mim claro, quase a mesma coisa que ir inventar um prato do nosso fiel amigo, o bacalhau. Ora como se sabe existem mil maneiras de fazer bacalhau, já não existem mil maneiras de eu fazer um post em condições, legível no mínimo e, mesmo sem ter a presunção de sair qualquer coisa XPTO ou um must, acaba sempre por saber bem, o bacalhau claro. Mas como optimista que sou e adepto (do Benfica também) de que a garrafa está meio cheia e não meio vazia, acho que até ao fim do post irei achar um título para ele.
Muita palha e ainda não disse nada. Engraçado que poderia continuar com este exercício por aqui fora e acabaria como o do Gato Fedorento que ás tantas diz : …tu falas, falas, falas mas não dizes nada…” ao que eu responderia logo que também existe por cá quem prometa, prometa, prometa e não cumpra, mas continuaria sem dizer nada, pelo menos de novo neste caso.
É curioso que quando chega a época do verão a disposição das pessoas muda radicalmente, e não estou a falar das pessoas no fim do dia já depois de uns caracóis e umas imperiais, estou a falar normalmente durante o dia, excepto ao acordarem ok, tudo bem, andam mais alegres com a perspectiva talvez das férias que se aproximam, ou que estão a acontecer, do subsidio de férias, da praia, da piscina, dos biquínis, das viagens (de preferência quando regressarem não tragam o H1N1) enfim toda uma panóplia de “coisas boas”, mas de vez em quando isso muda e toda a gente anda chateada, a embirrar uns com os outros, o transito é caótico (mais ainda), em todas as passadeiras estão peões para atravessar e um gajo já esta atrasado, a maquina do café avaria e a chefe ou o chefe dá ideia que não tiveram sorte nenhuma na noite anterior, é quase quando na nossa casa um electrodoméstico se avaria, logo de seguida avariam-se mais 2 ou 3, e isto dá que pensar, será que alguma entidade responsável manda para a atmosfera uns gases para irritar o pessoal e depois eles ficam a monitorizarem-nos e a rirem ás nossas custas? Tipo experiencia para um novo tipo de medicamento, digo eu claro, é que depois isto é contagioso, porque quem até estava contente ou no mínimo bem disposto, já sem cú que aguente junta-se á trupe e bora lá ficar tudo em sintonia, neste caso em banda larga e bem abrangente, e não havia necessidade.
Por isso esposas e esposos de chefes cuidem bem deles durante a noite, mais que não seja para que aja uma boa harmonia nos serviços, mesmo que a vossa vida afectiva não esteja no auge pensem que é por uma causa justa, e estando na legitimidade podeis pecar sem conceber e se quiserdes conceber fazei-o também, dai um sorriso ao vosso/a companheiro/a, e, se não estiverdes na legitimidade também não muda nada do que escrevi... mais fácil é impossível.
Voscubidus Bobiscus
Latim á parte e de uma forma mais séria acho que todos nós na nossa vida devíamos entrar no Modelo Minnesota não para nos curarmos de alguma dependência mas por uma coisa mais simples, devíamos pensar “...só por hoje…vou ser feliz…” e assim só por hoje, de hoje em diante, no mínimo tentaríamos ser felizes, e ao sermos felizes iríamos directamente proporcionar essa felicidade a alguém também e esse alguém a outro alguém e por aí fora, pelo menos gosto deste pensamento.
Nesta altura do post geralmente fico a carvão sem saber muito bem para que lado virar (não confundir a minha masculinidade), se para a nossa sociedade com personificações tauromáquicas em plena Assembleia da Republica, se para acontecimentos mais interessantes, refrescantes e virtualmente reais, como a possibilidade de um dia destes ir comer um Haagen Dazs de preferência de banana split e chocolate, eu que até nem sou nada guloso como alguns sabem .
Entre estes assuntos todos e com muitos ainda a inquietarem-me o pensamento, não posso deixar de referir que mais uma vez a opinião da MRP na revista masculina que leio mensalmente me deixou a pensar não na parcialidade com que ela aborda certos assuntos nos seus textos, mas na (in) capacidade de coerência que ela tem, senão vejamos, a paginas tantas e quantificando e qualificando o que ela mais detesta num homem, dizia que detestava um homem que sacava (sim sacava escreveu ela) mulheres através de carros bons e visas dourados...tststst pois é eles são uns cafagestes, sem carácter e aproveitadores isso sim, aproveitam-se das mulheres com esses “argumentos”.
Mas estarei a ver bem isso? Afinal quem é que se aproveita da situação? Eles já têm os carros e os visas dourados certo? Nada de novo portanto, nada de ganhos, elas vão andar de carro bomba e usufruir do visa dourado deles, certo também? Depois na fase final compensam-se mutuamente, mas só eles é que são desprezíveis, elas não, taditas , ó MRP é preferível não escrever certas coisas que opinar desta forma ok? A sensação de se cair no ridículo não é muito boa, por isso ás vezes com a boca fechada a mosca não entra nem sai asneira, ate pq no caso referido estao "muito bem" uns para os outros.
Confesso que chegando ao final não sei que título dar ao post, como tal vai ficar como meu voto nas últimas eleições…
E assim volto a agradecer a todos os utentes que por fim deixaram de entrar neste serviço de forma a que pudesse escrever isto.
Boa noite

Friday, April 24, 2009

COISAS SIMPLES

Hoje é dia da revolução dos cravos, dia da revolução que tentou levantar Portugal do obscurantismo, do “orgulhosamente sós” e isso foi feito com uma ideia de futuro, quase como uma jura de amor entre namorados… “para sempre”…claro que á semelhança da jura dos namorados a revolução também esfria e com ela a democracia e a ruptura passa a ser um risco enorme, os namorados falam menos um com o outro e a democracia fala menos com o povo.
Mas o que me leva a escrever hoje são coisas mais simples, vou deixar de lado o meu pseudo-intelectualismo e focar-me só nessas ditas coisas simples, a própria revolução do 25 de Abril foi uma coisa “simples”, sem grandes dramas, sem quase sangue derramado, bem á altura de um país top a nível de cultura e civilização. Claro que a cidadania ainda é um longo caminho a percorrer mas sejamos optimistas, estou convencido que lá para 2300 seremos um País que não se sentirá envergonhado de uma qualquer Suécia ou Holanda de 2009, claro que não faço ideia de como serão esses Países também em 2300, problema deles, se quiserem não evoluam e esperem por nós.
Uma noite destas, dei por mim a passear de carro na zona da Arruda dos Vinhos, Sobral, Vialonga e diziam me: esta volta de dia é mais bonita, de noite não se consegue ver nada - e embora fosse um facto que não se via nada não deixa de ser bonito quer o silencio da zona e da noite, quer a possibilidade que dava em se conseguir imaginar pelas silhuetas pretas dos montes, arvores, casas etc como seria a zona á luz do dia, e esse exercício é, para quem se lembra, igual á altura em que só havia televisão a preto e branco, e eu miúdo, tentava sempre imaginar quais seriam as cores das camisolas das pessoas , do próprio tom do azul do céu e de todo o cenário que se apresentasse, e era bonito e puro, assim como é bonita e pura essa paisagem da Arruda. Não é de certeza a mais bonita mas para o caso não interessa, são coisas do momento e esse é muitas vezes efémero, fica o clic da imagem na retina e passa.
De dia não se pode deixar de reparar na fantástica Natureza que temos, e mesmo que não tivéssemos um calendário bastava olhar para as bermas da estrada ou para os campos e ver as papoilas, olhar para os prédios e ver os ninhos das andorinhas e sabemos imediatamente em que altura do ano estamos, uma coisa tão simples, tão bonita que faz muitas vezes de inspiração a quem escreve ou pinta ou simplesmente observa.
Um dia destes li ou ouvi uma notícia em que um escritor dizia que os escritores escreviam porque tinham um desequilíbrio qualquer que os levava a terem que escrever de forma a ultrapassarem essa fase, pensei, felizmente passo meses sem escrever, só que ao mesmo tempo reparei que este mês já é o 2º post, logo devo estar ou andar desequilibrado, deve ser por estar sem maquina do café…uma coisa simples ao fim ao cabo.
Vem-me á memoria nesta época também, a altura em que andava no secundário e tinha de estudar porque era o 3º período e passava noites a estudar, quer dizer não era bem a estudar era mais a ouvir o Oceano Pacifico e a assaltar o frigorifico da minha mãe, devorando o que houvesse, inclusive o almoço do dia seguinte ehehehe, imaginem a vossa mãe estar descansada da vida porque fez carne estufada na panela de pressão e quando pensa em ir almoçar já depois de fazer o acompanhamento para a dita carne repara que só existe…molho e umas duas cenouras…pois ehehehe, mau muito mau
Lá tive de ir a correr comprar uns frangos assados.
Altura essa em que ia comprar leite á vacaria e a minha mãe tinha de o ferver para ser consumido, o que levava a uma guerra sobre quem comia a nata (para quem gosta claro) entre mim e a minha irmã, invariavelmente com a vitoria…dela, era mais pequena e tal e eu deixava. Claro que essas idas á vacaria não eram tão inocentes assim, alem de ir na minha moto para mostrar que haveria sempre a possibilidade de alguém ter boleia, dava sempre para encontrar alguma colega de escola ou filha de alguma vizinha assim para o interessante, e conversa após conversa convida-la para a próxima festa da escola ou do grupo a que eu pertencia, mas era engraçado, e hoje á distancia de alguns anos consigo sorrir mesmo nas situações em que levei tampa, não para o leite mas das mocitas.
Lembrei-me agora também que passou em rodapé no telejornal que, hoje, um helicóptero ia largar sobre Lisboa 5000 cravos e pensei (lá ando eu com esta mania), porquê quantificar? Não seria mais bonito dizer que ia largar cravos sobre Lisboa? Não seria mais simples?
E são realmente essas coisas simples que têm mesmo mais importância, é na simplicidade das coisas que o complexo aparece e se desenvolve, se olharmos á noite para um céu estrelado vamos contar as estrelas? Vamos quantificar o numero de estrelas ou vamos admira-las no seu esplendor? Claro que já tentamos conta-las num exercício de brincadeira, como em criança quando a minha mãe nos cortava o cabelo, ás vezes tentava contar os cabelos cortados, mas era diferente, não era com o intuito de mais tarde fazer uma declaração ao país e dizer que a minha mãe tinha cortado 9234 cabelos, coisa que em eleições próximas a Câmara de Lisboa poderá dizer, não que lançou cravos no 25 de Abril, mas que lançou 5000 cravos no 25 de Abril, é totalmente diferente…e com isso morre a simplicidade e pureza da acção.
Simples, é a forma como em criança via as coisas e triste fico por não as conseguir ver agora da mesma forma. Poucas coisas são iguais aos olhos de uma pessoa quando criança e depois quando adulta, e por mais que não queira preferia mil vezes vê-las com os olhos de criança, e dizer bué, bué de vezes sem querer saber se me estão a criticar ou não, gritar na mesa de um restaurante quando o Benfica marca um golo sem me ralar com o olhar reprovador de outras mesas, de andar na praia e esquecer-me de tirar a areia dos ténis antes de entrar em casa, e mais mil e uma coisas naturais numa criança e reprovadas como adulto, criancice minha?
Era bom…
Já é de dia e vou acabar este post agradecendo as mesmas coisas dos posts anteriores.
Um resto de bom dia